sábado, 10 de novembro de 2018

Os mistérios de Ganesha


     
Ao assistir o Filme Ratatouille, nos deparamos no início do filme, com uma história que supostamente seria a história dos ratos no mundo, e a forma com que se espalharam pelos cinco continentes. Não posso confirmar que todos os fatos sejam verdades, porém, alguns pontos chamam a atenção. No filme mostra que o rato no oriente é visto como um sinal de fartura, abundância e astúcia, já que na china se deve a descoberta do arroz ao rato que em homenagem ganha um espaço na astrologia chinesa, enquanto no ocidente vemos sua imagem associada a desgaste, roubo e percas. Talvez esta imagem pejorativa se deva a peste bulbonica que erradicou boa parte da sociedade ocidental no medievo.
         Mas, é sua associação com o Deus Hindu Ganesha que nos chama a atenção. Existe um boato de que os elefantes temem o rato, já que eles poderiam entrar em suas trombas e causar sua morte por asfixia, boatos a parte e considerando que este boato fosse realidade nos perguntamos: Como um Deus com a cabeça do animal que teme o rato pode estar associado a este que seria seu inimigo mortal?
        Para responder devemos levar em consideração que toda e qualquer religião não fala de forma literal ou racional para seus seguidores, a alegoria que se insiste em utilizar nas representações das leis universais, nos transmitem conhecimento diretamente para a alma e não para a mente, ou seja, seu significado é subjetivo e pode ser compreendido de forma variada conforme a compreensão do ouvinte, fugindo ao controle do orador suas explicações objetivas. É por este motivo que uma mesma passagem de textos como a bíblia tomam diversas interpretações.
        Ganesha não é diferente. Sua história é repleta de símbolos que devem sempre ser visto sobre os mais diversos ângulos no intuito de compreender as verdades presentes. Reza a lenda que após o casamento com Parvarti, Shiva teve de se ausentar de seu lar, uma versão diz que foi motivo militar, enquanto outra diz que por motivos espirituais, não vou dizer qual o motivo mais justo, sabe-se no entanto, que Shiva demorou anos para voltar para casa. Ao chegar em casa se deparou com um belo jovem que despertou a ira de Shiva. Uns dizem que por ciúmes, outros por ter impedido que o Deus entrasse em casa, novamente não nos cabe julgamento sobre o real motivo. Mas o jovem teve um fim trágico com sua cabeça decepada de seu corpo. Parvarti lamentou e disse a Shiva que o jovem era seu filho, e Shiva em correção ao seu ato destrutor e não encontrando a cabeça do jovem, arrancou a cabeça de um elefante e o pôs na cabeça do jovem, concedendo-o nova vida. O jovem se tornou um Deus respeitado que destrói os obstáculos que surjam e traz sucesso e prosperidade aos seus fiéis, e este sempre vem montado em um rato.
       Pode-se perceber algumas leis que deveriam ser respeitadas para que pudéssemos ter não somente bons relacionamentos, como bom andamento em nossos projetos. Primeiro o fato de que se julgarmos e agirmos por impulso, podemos tomar medidas precipitadas e aniquilar completamente a prosperidade de nossos atos, o fato de utilizar a cabeça de elefante ressalta a importância da sabedoria, as orelhas do elefante ainda nos desperta para o fato de ouvirmos conselhos sábios antes da tomada de decisões de nossos atos, e não somos detentores da verdade universal.
        Quanto ao rato existem dois elementos que devem ser levados em consideração, no simbolismo deste animal, a sua maleabilidade para passar por lugares difíceis e com isto conseguir o que procura. Além de sua agilidade na fulga de armadilhas e dos que o perseguem, habilidade que deve ser de extrema importância para os que inspiram alcançar algo. E se formos considerá-lo como um medo do Deus, devemos lembrar que este Deus estaria cavalgando seu medo, portanto uma lição de que devemos domar os nossos medos e fazê-lo trabalhar a nosso favor, o medo com toda certeza será o grande obstáculo a ser vencido.
         Diante de tudo isto, que Ganesha possa inspirar-nos em nossa busca por melhorias, rompendo os obstáculos que possamos encontrar, e fazendo com que possamos dominar nossos medos. Que ousemos mais, temer jamais!