Ao assistir o Filme Ratatouille, nos deparamos no início do filme, com uma história que supostamente seria a história dos ratos no mundo, e a forma com que se espalharam pelos cinco continentes. Não posso confirmar que todos os fatos sejam verdades, porém, alguns pontos chamam a atenção. No filme mostra que o rato no oriente é visto como um sinal de fartura, abundância e astúcia, já que na china se deve a descoberta do arroz ao rato que em homenagem ganha um espaço na astrologia chinesa, enquanto no ocidente vemos sua imagem associada a desgaste, roubo e percas. Talvez esta imagem pejorativa se deva a peste bulbonica que erradicou boa parte da sociedade ocidental no medievo.
Mas, é sua associação com o Deus Hindu Ganesha que nos chama a
atenção. Existe um boato de que os elefantes temem o rato, já que
eles poderiam entrar em suas trombas e causar sua morte por asfixia,
boatos a parte e considerando que este boato fosse realidade nos
perguntamos: Como um Deus com a cabeça do animal que teme o rato
pode estar associado a este que seria seu inimigo mortal?
Para responder devemos levar em consideração que toda e qualquer
religião não fala de forma literal ou racional para seus
seguidores, a alegoria que se insiste em utilizar nas representações
das leis universais, nos transmitem conhecimento diretamente para a
alma e não para a mente, ou seja, seu significado é subjetivo e
pode ser compreendido de forma variada conforme a compreensão do
ouvinte, fugindo ao controle do orador suas explicações objetivas.
É por este motivo que uma mesma passagem de textos como a bíblia
tomam diversas interpretações.
Ganesha não é diferente. Sua história é repleta de símbolos que
devem sempre ser visto sobre os mais diversos ângulos no intuito de
compreender as verdades presentes. Reza a lenda que após o casamento
com Parvarti, Shiva teve de se ausentar de seu lar, uma versão diz
que foi motivo militar, enquanto outra diz que por motivos
espirituais, não vou dizer qual o motivo mais justo, sabe-se no
entanto, que Shiva demorou anos para voltar para casa. Ao chegar em
casa se deparou com um belo jovem que despertou a ira de Shiva. Uns
dizem que por ciúmes, outros por ter impedido que o Deus entrasse em
casa, novamente não nos cabe julgamento sobre o real motivo. Mas o
jovem teve um fim trágico com sua cabeça decepada de seu corpo.
Parvarti lamentou e disse a Shiva que o jovem era seu filho, e Shiva
em correção ao seu ato destrutor e não encontrando a cabeça do
jovem, arrancou a cabeça de um elefante e o pôs na cabeça do
jovem, concedendo-o nova vida. O jovem se tornou um Deus respeitado
que destrói os obstáculos que surjam e traz sucesso e prosperidade
aos seus fiéis, e este sempre vem montado em um rato.
Pode-se perceber algumas leis que deveriam ser respeitadas para que
pudéssemos ter não somente bons relacionamentos, como bom andamento
em nossos projetos. Primeiro o fato de que se julgarmos e agirmos por
impulso, podemos tomar medidas precipitadas e aniquilar completamente
a prosperidade de nossos atos, o fato de utilizar a cabeça de
elefante ressalta a importância da sabedoria, as orelhas do elefante
ainda nos desperta para o fato de ouvirmos conselhos sábios antes da
tomada de decisões de nossos atos, e não somos detentores da
verdade universal.
Quanto ao rato existem dois elementos que devem ser levados em
consideração, no simbolismo deste animal, a sua maleabilidade para
passar por lugares difíceis e com isto conseguir o que procura. Além
de sua agilidade na fulga de armadilhas e dos que o perseguem,
habilidade que deve ser de extrema importância para os que inspiram
alcançar algo. E se formos considerá-lo como um medo do Deus,
devemos lembrar que este Deus estaria cavalgando seu medo, portanto
uma lição de que devemos domar os nossos medos e fazê-lo trabalhar
a nosso favor, o medo com toda certeza será o grande obstáculo a
ser vencido.
Diante de tudo isto, que Ganesha possa inspirar-nos em nossa busca
por melhorias, rompendo os obstáculos que possamos encontrar, e
fazendo com que possamos dominar nossos medos. Que ousemos mais,
temer jamais!
