Estava hoje recordando
minha infância, relembrando as muitas quaresmas que passei em companhia da
família, o prazer desde criança na quaresma era ir com os amigos para um lugar bem isolado, como um alto de
morro ou próximo a uma encruzilhada e começávamos a contar lendas e historias
de lobisomem, fantasmas e assombrações...(Gargalhadas)... Bons Tempos aqueles.
Mas, nenhuma causava
tanto espanto quanto as que meus tios-avós, e mesmo meu pai me contava em plena
luz do dia, quando chegava a noite e pedíamos que contasse novamente a
historia, a resposta era que estes causos não se contam a noite ou pode atrair
os mortos para perto.
Minha vó contava, que
certa vez, sua mãe disse que uma conhecida costurava durante a noite - segundo
uma crença antiga fazer serviço domestico após o sol se por não traz sorte, e
faz com que a pós a morte a pessoa continue fazendo seus afazeres- com isto
ouviu uma procissão que passava , mas não parou seu serviço até que alguém
bateu a sua janela, e entregou a ela um terço e pediu que guardasse pois a
mesma retornaria para o buscar, ela aceitou, mas antes que dissesse algo a
mulher sumiu. Quando ela se deu conta do que se tratava já era tarde, e agora
restava apenas aguardar para entregar de volta o que lhe haviam entregue. De
acordo com minha avó devido a isto a conhecida não recomendava que se fizesse
serviço algum durante a noite, e ela seguia o conselho, de noite só se meche em
comida e olhe lá. Minha vó ainda alertava “A noite é dos mortos e das bestas, não
pertence ao homem.”
Sempre após esta
historia meu tio avô logo contava sua historia, este tio vivia em uma casa de
pau-a-pique sem luz cercado apenas por natureza. A historia era que certa feita
já eram por volta de três da manhã e ele foi acordado por sinos passando pelo
quintal e uma ladainha, o barulho de passos era insistente a porta da casa, ele
logo preparo-se para olhar, pegando uma espingarda de caça e pondo em uma das
frestas afim de se proteger caso fosse alguém mal intencionado, mas apesar do barulho,
ele nada via no quintal, a não ser uma luz que se distanciava lentamente pelo
quintal, ele acompanhou com seus olhos até que a luz sumisse sem questionar ou
fazer mais barulho. E sem excitação ele afirmava que tivera um encontro com a
procissão das almas sem nenhuma dúvida.
Meu pai era quem
encerrava a história, bom mineiro que é, morava pelas bandas de Raul Soares
quando criança em meio a fazendeiros e fazendas, afirmava que em meio a uma das
fazendas que fora criado, aparecia por entre os meses de agosto e novembro, uma
luz que corria o pasto da criação e que cortando todos os morros ia em direção
a um velho cruzeiro no alto do morro, a circulava e na frente do mesmo
desaparecia.
Eu quando ainda infante
duvidava da existência desta luz até recentemente, que em visita a alguns
primos, uma tia afirmou que de vez em quando a luz aparece por aquelas bandas.
Diante disto, relembro
que em breve e chegado o tempo dos idos, e você está pronto para um encontro
inesperado?
Fontes da Imagem pesquisadas no dia 11/03/2016:
Procissão das almas:
https://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.sambapretodigital.com.br/wp-content/uploads/2015/09/5-4-350x231.jpg&imgrefurl=http://www.sambapretodigital.com.br/cultura/2015/09/03/as-assombracoes-da-mina-da-passagem/&h=231&w=350&tbnid=SWAFnFFs0f3NbM:&docid=pQ7bn-VCV-vNOM&ei=D8DiVtsDyJ3ABPP3vZAI&tbm=isch&ved=0ahUKEwibx9P41rjLAhXIDpAKHfN7D4I4ZBAzCBcoFDAU
Cruzeiro:
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