sexta-feira, 11 de março de 2016

A PROCISSÃO DAS ALMAS



Estava hoje recordando minha infância, relembrando as muitas quaresmas que passei em companhia da família, o prazer desde criança na quaresma era ir com os amigos  para um lugar bem isolado, como um alto de morro ou próximo a uma encruzilhada e começávamos a contar lendas e historias de lobisomem, fantasmas e assombrações...(Gargalhadas)... Bons Tempos aqueles.
Mas, nenhuma causava tanto espanto quanto as que meus tios-avós, e mesmo meu pai me contava em plena luz do dia, quando chegava a noite e pedíamos que contasse novamente a historia, a resposta era que estes causos não se contam a noite ou pode atrair os mortos para perto.
Minha vó contava, que certa vez, sua mãe disse que uma conhecida costurava durante a noite - segundo uma crença antiga fazer serviço domestico após o sol se por não traz sorte, e faz com que a pós a morte a pessoa continue fazendo seus afazeres- com isto ouviu uma procissão que passava , mas não parou seu serviço até que alguém bateu a sua janela, e entregou a ela um terço e pediu que guardasse pois a mesma retornaria para o buscar, ela aceitou, mas antes que dissesse algo a mulher sumiu. Quando ela se deu conta do que se tratava já era tarde, e agora restava apenas aguardar para entregar de volta o que lhe haviam entregue. De acordo com minha avó devido a isto a conhecida não recomendava que se fizesse serviço algum durante a noite, e ela seguia o conselho, de noite só se meche em comida e olhe lá. Minha vó ainda alertava “A noite é dos mortos e das bestas, não pertence ao homem.”
Sempre após esta historia meu tio avô logo contava sua historia, este tio vivia em uma casa de pau-a-pique sem luz cercado apenas por natureza. A historia era que certa feita já eram por volta de três da manhã e ele foi acordado por sinos passando pelo quintal e uma ladainha, o barulho de passos era insistente a porta da casa, ele logo preparo-se para olhar, pegando uma espingarda de caça e pondo em uma das frestas afim de se proteger caso fosse alguém mal intencionado, mas apesar do barulho, ele nada via no quintal, a não ser uma luz que se distanciava lentamente pelo quintal, ele acompanhou com seus olhos até que a luz sumisse sem questionar ou fazer mais barulho. E sem excitação ele afirmava que tivera um encontro com a procissão das almas sem nenhuma dúvida.
Meu pai era quem encerrava a história, bom mineiro que é, morava pelas bandas de Raul Soares quando criança em meio a fazendeiros e fazendas, afirmava que em meio a uma das fazendas que fora criado, aparecia por entre os meses de agosto e novembro, uma luz que corria o pasto da criação e que cortando todos os morros ia em direção a um velho cruzeiro no alto do morro, a circulava e na frente do mesmo desaparecia.
Eu quando ainda infante duvidava da existência desta luz até recentemente, que em visita a alguns primos, uma tia afirmou que de vez em quando a luz aparece por aquelas bandas.
Diante disto, relembro que em breve e chegado o tempo dos idos, e você está pronto para um encontro inesperado?  

Fontes da Imagem pesquisadas no dia 11/03/2016:
Procissão das almas:
 https://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.sambapretodigital.com.br/wp-content/uploads/2015/09/5-4-350x231.jpg&imgrefurl=http://www.sambapretodigital.com.br/cultura/2015/09/03/as-assombracoes-da-mina-da-passagem/&h=231&w=350&tbnid=SWAFnFFs0f3NbM:&docid=pQ7bn-VCV-vNOM&ei=D8DiVtsDyJ3ABPP3vZAI&tbm=isch&ved=0ahUKEwibx9P41rjLAhXIDpAKHfN7D4I4ZBAzCBcoFDAU
Cruzeiro:

http://oleodeguignard.com.br/admin/public/uploads/SEMANASANTA.png

Nenhum comentário: