É impossível falar da etnia cigana sem tocar no assunto das leituras da sorte. Sabemos que o ser humano, embora seja criativo e domine a natureza, pode sofrer com o fatalismo, acreditando em destinos traçados por forças superiores. Desejando antever essas fatalidades do destino, de forma a modificar o resultado final, as diversas culturas existentes cultivaram oráculos - aprofundaremos mais tarde - que permitem que o consulente tomasse em suas mãos o destino de sua vida.
Uma destas artes oraculares associadas aos ciganos seria a quiromancia(leitura de mãos), herdado talvez dos Bramanes e espalhado pelo mundo pelos ciganos. Embora possa parecer, essa arte não é exclusividade do povo Cigano e hindu, sendo possível encontrar referência em um dos livros mais místicos do Judaísmo o Zohar que afirma:
"As linhas da mão, e especialmente as da mão direita, são importantes. Cinco linhas fracas na face interna do indicador, em sua base, e quatro linhas na ponta, bem como quatro linhas verticais do lado de fora do mesmo dedo indicam o homem descuidado e preguiçoso. Poderia ter êxito se empreendesse alguma coisa mas, sua preguiça o impede. Esse mistério se expressa na letra Zain. Uma vertical no lado de dentro do dedo grande mostra um homem que é cuidadoso e reflete antes de cada ato. Duas linhas verticais no mesmo dedo, que não desaparecem quando está estendido, mostram um homem que pensa pouco e age espontaneamente. Três linhas verticais no mesmo lado, junto com duas ou três linhas naquele lado do dedo que toca o dedo anular, mostram um espírito fino e cuidadoso, que busca o caminho reto. Três ou quatro linhas no lado de fora e o mesmo número no lado de dentro do dedo grande mostra um homem que pensa somente em fazer o mal. Mas as linhas da mão não são permanentes, e por meio do arrependimento um homem pode mudar sua natureza." ( O Zohar, pág. 131)
A característica inicialmente nômade e adaptativo dos ciganos permitiu que eles absorvesse, bem como influenciasse os aspectos culturais dos povos que tiveram relacionamento, seja comercial, artístico ou social.
Ainda assim, a inclusão social do povo nômade sempre foi um obstáculo a ser enfrentado, hoje por meio de pastorais e ações sociais, o registro do povo cigano tem ocorrido, garantindo serviço essenciais como saúde e documentos, enquanto no aspecto de segurança, diante de fatos como ocorridos na Bahia recentemente, e em diversas partes do mundo onde os ciganos são perseguidos e mortos, podemos perceber que os ciganos por vezes falam de uma coisa que podem não ter, mas sempre agirão para conquistar: a sorte e o respeito.
Referência:
Bansion, Ariel, 1880-1932- O Zohar: o livro do esplendor- São Paulo: Polar, 2006.
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