quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Breve racionalismo

 


Final de ano, período de festas, fartura e diversão. Algumas desavenças estarão suspensas até que passe o último estalo do show de pirotecnia, até o último estouro do champanhe, a última bolha do gás de uma bebida que causa euforia e esperança de uma vida melhor.

Nas páginas sociais, reflexões surgem aos montes, geralmente apontando lições que foram ensinadas subjetivamente pela vida, promessas nascem naturalmente como projetos concretos que aguardam no fim da curva.

A sensação de que podemos ser donos de nossas próprias metas, destinos e conseguiremos realizar tudo que planejamos.

Como se fossemos intocados pelo acaso, pelo inesperado, por uma força desconhecida que quebra o ego, destrói os planos e mostra o quanto somos frágeis, medrosos e dependentes.

Partilhamos lições, que nunca foram aprendidas, por que se fossem assimiladas, não se repetiriam. As reflexões ecoam como se fossemos elevados o suficiente, para ensinar com nossos passos o caminho alheio. Como se alguma coisa fizesse diferença, como se as palavras lançadas fossem fazer um desvio do problema que espreita.

Nas festas ficamos apenas suspensos em nossos pensamentos e sonhos esperançosos. E ao entrar um novo ano, onde terão inúmeras lições que não serão aprendidas, de infortúnios inesperados, e de momentos breves de alegria por ter vencido uma adversidade a mais. E percebemos que na verdade não houve mudança alguma. Afinal, só repetimos a programação social, não fizemos nada de mais, uma roupa colorida jamais nos trará o amor, o dinheiro inesperado, ou a paz almejada.

Ser bondoso sob a própria perspectiva, não te blindará da perversidade humana, que aguarda um sonhador desavisado na espera de uma reciprocidade inexistente.

Se quiser ser bom, seja. Mas, aguarde pedras no lugar de flores, afinal nunca vi uma árvore frutífera que não levasse pedrada.    

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