Final
de ano, período de festas, fartura e diversão. Algumas desavenças estarão
suspensas até que passe o último estalo do show de pirotecnia, até o último
estouro do champanhe, a última bolha do gás de uma bebida que causa euforia e
esperança de uma vida melhor.
Nas
páginas sociais, reflexões surgem aos montes, geralmente apontando lições que
foram ensinadas subjetivamente pela vida, promessas nascem naturalmente como
projetos concretos que aguardam no fim da curva.
A
sensação de que podemos ser donos de nossas próprias metas, destinos e
conseguiremos realizar tudo que planejamos.
Como
se fossemos intocados pelo acaso, pelo inesperado, por uma força desconhecida
que quebra o ego, destrói os planos e mostra o quanto somos frágeis, medrosos e
dependentes.
Partilhamos
lições, que nunca foram aprendidas, por que se fossem assimiladas, não se
repetiriam. As reflexões ecoam como se fossemos elevados o suficiente, para
ensinar com nossos passos o caminho alheio. Como se alguma coisa fizesse
diferença, como se as palavras lançadas fossem fazer um desvio do problema que
espreita.
Nas
festas ficamos apenas suspensos em nossos pensamentos e sonhos esperançosos. E ao
entrar um novo ano, onde terão inúmeras lições que não serão aprendidas, de infortúnios
inesperados, e de momentos breves de alegria por ter vencido uma adversidade a
mais. E percebemos que na verdade não houve mudança alguma. Afinal, só
repetimos a programação social, não fizemos nada de mais, uma roupa colorida
jamais nos trará o amor, o dinheiro inesperado, ou a paz almejada.
Ser
bondoso sob a própria perspectiva, não te blindará da perversidade humana, que
aguarda um sonhador desavisado na espera de uma reciprocidade inexistente.
Se
quiser ser bom, seja. Mas, aguarde pedras no lugar de flores, afinal nunca vi
uma árvore frutífera que não levasse pedrada.


